27/04/13

Horas doces num lugar encantado


Há um lugar no norte do nosso lindíssimo país… 
Um lugar encantado, cheio de magia e até fadas… eu já as vi e vive-se por lá algumas horas doces…





Na margem
me reencontro. E sigo rio acima
rumo a nascentes cristalinas.
No pensamento ideia obscurecida
pelo tempo e gasta.
Tempo de um improviso
na harmónica uma leve melodia
retomando veredas. Margem acima.
A ideia se refaz para logo se emancipar.
Encostado a um velho carvalho olho os trilhos
constato o que já muito andei
mas só agora entendo o que ainda falta de caminho…

José Manuel Barbosa









“... subi-la, calcar as pedras e os musgos, embrenhar-se numa floresta de bolores, névoas, e serpentear às voltas pelo caminho de regresso... perder-se na imensidão dos nadas... e reencontrar-se!”

José Manuel Barbosa





“Sim, o caminho! Importante dar o primeiro passo, o da partida; chegar pode ser o objectivo mas... o Caminho, esse é o mais importante. “

José Manuel Barbosa




















24/03/13

Que alguém saiba que és um homem


Ontem foi assim…

Beleza, emoção, humor, amizade, sentimento e música. Os ingredientes  perfeitos para o lançamento de um livro.

O lançamento de: "Que alguém saiba que és um homem”, o último livro do autor vilacondense Casimiro Teixeira.

Ontem, pelas 16h no Auditório Municipal de Vila do Conde, Casimiro Teixeira lançou o seu segundo de poesia numa bonita festa, porque foi isso mesmo, uma festa entre amigos e leitores.




Na mesa de honra, o autor contou com a participação da vereadora Dra. Maria Elisa Ferraz, a jornalista Paula Miranda e da poetisa Paula Oz que declamou algumas poesias desta obra.  



E porque poesia combina com música, o grupo The Blue Jay Way brindou a plateia preenchida com um harmonioso concerto.


Tivemos direito a tudo para uma deliciosa tarde cheia de boa disposição, poesia e música.


Obrigada Casimiro, eu adorei!

Outros livros deste autor: Governo Sombra e Poemas por tudo e por nada.

Fotografias com pouca qualidade mas tiradas por mim com muito carinho.


24/02/13

Um outro olhar a NU


E porque Horas doces não é só livros e lê-los, tenho vindo a descobrir imenso prazer na arte do olhar, mais concretamente, na fotografia. 

Destaco aqui uma pagina de fotografia no Facebook, na qual descobri uma forma muito própria de reproduzir o nu, essa arte que muitas vezes é vista "pelo canto do olho".

Uma arte que admiro! 





Um prazer que preenche o olhar. Não tanto pela beleza (sempre discutível) do corpo mas e, sobretudo, pela atitude, postura e composição de todo o quadro. Bem como os contrastes evidenciados. Olhar pelo canto do olho, de facto, não vale. Porque nada ou pouco se vê e nada ou pouco se usufrui. Há que não ter medo nem se deixar abater pelo preconceito do outro e construir uma ideia, uma página, em que, de certa forma ou de todas as formas, nos lembre que somos nós quem lá estamos! E que nos afirme!  

[José Manuel Barbosa]









A Fotografia é uma forma de ficção. É, ao mesmo tempo, um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira.

[Gérard Castello Lopes]







Há que treinar o olhar. Educar a forma como se vê. E ver apenas o que se quer ver...

[José Manuel Barbosa]










Talvez que a tal Arte mais não seja do que a forma como se vê e não tanto a forma como se faz.

[José Manuel Barbosa]


13/12/12

...Numa infância permanente...



[…Bolas, Cisne! – Afirmei, mas baixando a voz – agora estás a misturar a infância com a idade adulta.
–– Não, Escritor. Porque a infância não existe. Ou só existe à distância ou nos outros. Quando tu eras criança...tenta lembrar-te, alguma vez pensaste “ não, isto que eu estou a pensar é estúpido porque ainda sou uma criança”. Pensaste, Escritor? Não! Tu sempre foste adulto a pensar para ti. Tu, e toda a gente, desde que se lembram, só tiveram pensamentos racionais, lógicos e maduros. Que, só depois, à distância, deixaram de o ser.
Fiquei mais um momento calado, tentando assimilar o que aquele ser desconchavado me tentava dizer. Quando lhe respondi, foi com muito mais calma, tentando não azedar uma conversa que até podia ter algum sumo.
–– Mas se nós, ao longo da vida, mudamos tanta vez de opinião e de maneira de ser. Se, há um ano, eu estava convencido de coisas que agora vejo estarem erradas. Então, o que me estás a dizer é que vivemos numa infância permanente.
Os lábios abriram-se-lhe num sorriso radioso…]


In "O Canto do Cisne" de João J. A. Madeira 


10/12/12

... Não faz mal. O meu pai é bombeiro...


[…– Admiro bastante os escritores – disse-me – a imaginação que têm e a facilidade com que a transformam em frases marcantes. Tu tens essa qualidade. A de criar frases que não se esquecem. Há uma, por exemplo, que eu sempre recordarei por a ter achado linda: “Eu tive uma fazenda em Àfrica”...
– Eu conheço – interrompi – da Karen Blixen em África Minha.
– Sim. Ou da Meryl Streep no filme. Chega uma altura em que não consigo dissociar a frase do rosto que a disse. Mais do que de quem a escreveu. Mas, seja de quem for, é uma frase que me causa uma certa nostalgia. Começar uma história a dizer aquilo que se teve é, no mínimo, sublime. Dá a sensação de que tudo o que aconteça daí para a frente não fará sentido, não terá importância, por mais dramático que venha a ser, por estarmos protegidos por um escudo que nos dá imunidade, o escudo daquilo que já tivemos. “ Eu tive uma fazenda em África” – declamou – É como quando se é garota e nos acontece alguma coisa ruim. Dizemos para os outros: “ não faz mal. O meu pai é bombeiro”…]

In "O Canto do Cisne" de João J. A. Madeira 


04/12/12

... Tu és escritor?



[…Levantei a cabeça do meu caderno e do meu café, meio frio e meio vazio, a tempo de ouvir a pergunta que o Cisne me fazia. Parada, com as mãos apoiadas nas costas da cadeira à minha frente, perguntava-me, não pela primeira vez:
–– Tu és escritor?
Devo ter feito uma expressão de pasmo devido ao ineditismo da situação, pois nunca ninguém me dirigia a palavra. Talvez por isso, sorriu e repetiu:
–– Mais uma vez te pergunto se és escritor.
Foi a minha vez de sorrir e, mastigando lentamente a pergunta que me fazia, acabei por responder:
–– Sou. Porque escrevo.
Deu uma ligeira gargalhada e, sem qualquer convite ou anuência da minha parte, acabou por desviar a cadeira e sentar-se.
–– Não faz mal. Também há quem diga que sou um ser humano porque falo. E que escreves tu quando estás para aí com a caneta zuca, zuca, zuca? – e fazia o gesto de escrever, com a mão direita.
De certo modo grato pela quebra de rotina, recostei-me na minha cadeira e falei, com agrado, para aqueles olhos:
–– Oh! Coisas simples, triviais, conforme vou imaginando. Episódios da minha vida, do que me rodeia, às vezes até do que sonho acordado. Embora aí o resultado ande mais pela ficção científica…]

In "O Canto do Cisne" de João J. A. Madeira 


03/12/12

...Maravilha da natureza...



         […Só uma coisa mantenho. O gosto pelas mulheres bonitas. Na minha solidão, no meu auto-isolamento, serve-me de companhia a observação dessa maravilha da natureza que é o corpo de uma mulher. O seu andar sensual, as suas curvas perfeitas ou avantajadas, os seus seios que imagino por baixo de blusas ou camisolas mais ou menos denunciantes. E as suas nádegas dançantes e convidativas que sobem e descem, sobem e descem. Que fascínio, que loucura elas me provocam, fazendo-me virar a cara, constantemente, quando por elas passo na rua. Ou olhando disfarçadamente quando a minha me acompanha. Tenho para mim, que só existe paraíso para além da morte se acordarmos deitados no corpo de uma mulher.
         Embora, neste momento, atravesse uma fase que só tem equivalência na ambição de ter um carro e não saber conduzi-lo. Ou ter nas mãos um disco maravilhoso e não ter aparelho para o tocar…]

In "O Canto do Cisne" de João J. A. Madeira